Uma área ocupada e livre da polícia em Seattle

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Manifestantes fazem de bairro uma zona autônoma e ignoram ameaça de Trump de enviar força militar para retomar controle. Manifestante é visto na auto-proclamada Zona Autônoma de Capitol Hill (CHAZ), em Seattle, na segunda-feira (15)
Reuters/Goran Tomasevic
Seis quarteirões do bairro de Capitol Hill, em Seattle, foram ocupados há uma semana durante os protestos antirracistas desencadeados após a morte de George Floyd. Os manifestantes expulsaram policiais, cobriram a delegacia com tapumes e controlam a área, batizada como Zona Autônoma de Capitol Hill (CHAZ em inglês).
A faixa “Este espaço agora é propriedade do povo de Seattle”, disposta no prédio da polícia, explica o que aconteceu no bairro que é também o centro de arte e cultura da capital do estado de Washington. A saída dos agentes foi antecedida de confrontos violentos, até que o Departamento de Polícia da cidade concordasse em liberar a delegacia e a área, sob proteção da comunidade.
A zona autônoma virou alvo de outro confronto, já conhecido no estado de Washington. De um lado, o presidente republicano; de outro, o governador Jay Inslee e a prefeita de Seattle, Jenny Durkan, ambos democratas.
Trump, que já havia desafiado Inslee a reabrir a economia durante a pandemia do novo coronavírus, ameaçou usar a força militar para retomar o bairro, caso o governo regional não agisse. Começou um bate-boca entre os três pelas redes sociais.
“Terroristas ocuparam Seattle, liderados por democratas da esquerda radical. Lei e Ordem!”
“Não permitiremos ameaças de violência militar contra os cidadãos de Washington vindas da Casa Branca. As Forças Armadas dos EUA servem para proteger os americanos, não a fragilidade de um presidente inseguro”, retrucou o governador.
“Deixe todo mundo seguro. Volte para o seu bunker”, ironizou a prefeita.
Desde o início dos protestos, o presidente põe no mesmo bolo anarquistas e extremistas de esquerda e já ameaçou transformar o movimento Antifa (antifascista) em organização terrorista.
No fim de semana, a zona autônoma parecia um festival, com música, pintura, meditação e discursos, abastecido de água, refrigerantes, protetor solar, álcool gel e barras de cereais — tudo de graça.
Manifestantes cercaram a área com barricadas e aumentam a listas de exigências. O que começou como um protesto antirracista enveredou em demandas como cortes no financiamento da polícia para direcioná-los à saúde ou a retirada de acusações contra os manifestantes.
Quanto tempo isso dura e como acaba? Provavelmente num novo confronto, analisou a correspondente Hannah Allan, no podcast da emissora NPR:
“A prefeitura e a polícia rejeitaram o ultimato de Trump para limpar a zona. Até agora, tudo está em compasso de espera, numa aposta de que os manifestantes não terão resistência ou organização para sustentar isso por muito tempo.”
Enquanto isso, a campanha de Trump explora a ocupação e tenta vinculá-la a Joe Biden, adversário do presidente na disputa pela Casa Branca. Vende a ideia de que, se o democrata for eleito, as cidades do país serão ocupadas e transformadas em zonas autônomas como as de Seattle. A área foi, inclusive, foi apelidada de “Zona Biden” por Jason Miller, conselheiro do presidente. Parece piada.
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