Como o racha do “blocão” pode ditar o futuro de Bolsonaro no Congresso?

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O deputado Arthur Lira, líder do "centrão", faz selfie com o presidente Jair Bolsonaro

SÃO PAULO – A decisão de MDB e DEM de deixarem o chamado “blocão” na Câmara dos Deputados teve ampla repercussão no mundo político. Embora os principais personagens envolvidos aleguem que o movimento já era previsto e que e grupo de partidos foi formado para a busca de espaços em comissões relevantes há uma avaliação de que a disputa pela presidência da casa legislativa esquentou.

A notícia (e seus desdobramentos) foi um dos assuntos do podcast Frequência Política desta semana. O programa é uma parceria entre o InfoMoney e a XP Investimentos. Ouça a íntegra pelo player acima.

De um lado, o presidente Rodrigo Maia (DEM-RJ) busca manter o protagonismo e influenciar na definição de seu sucessor. Do outro, o deputado Arthur Lira (PP-AL), líder de seu partido e do bloco na casa, tenta construir sua própria candidatura e usa de uma aproximação com o governo para ampliar seu capital político.

Nos últimos meses, a fluida interlocução desenvolvida junto ao Palácio do Planalto fez com que Arthur Lira fosse tratado por seus pares como uma espécie de liderança informal do governo na Câmara dos Deputados. O movimento incomodou siglas que integravam o bloco comandado pelo deputado, que preferiam uma postura de maior distanciamento em relação ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

Simultaneamente, Rodrigo Maia buscou uma maio aproximação com partidos da oposição. Na avaliação de algumas lideranças da casa, diante de um impasse entre um “centro” rachado, este grupo pode ser o grande definidor da disputa – e, neste caso, a recente aproximação com o governo federal pode custar caro para Arthur Lira.

O estopim para o racha acontecer teria sido a votação do Fundeb (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação), na qual Lira tentou usar o posto de líder do bloco para aprovar um requerimento de adiamento da votação, atendendo a um pleito do governo.

O movimento não foi bem-sucedido e aprofundou o desconforto de siglas que demandavam maior independência com relação ao Poder Executivo. Estava dada a largada da nova fase para a corrida pela sucessão de Rodrigo Maia na Câmara dos Deputados, que só ocorrerá em fevereiro de 2021.

“O principal discurso hoje é de independência. Tanto MDB quanto DEM estão com uma bandeira de independência. O que isso vai significar no dia a dia das votações do Congresso? Também temos que ter em mente que o novo presidente da Câmara que vai conduzir as principais reformas que ficarem para o ano que vem”, pontua Erich Decat, analista político da XP Investimentos.

Um dos cenários traçados pelos analistas é o de que a aproximação com o governo federal pode tornar a candidatura de Arthur Lira menos competitiva e até ajudar no crescimento de candidatos não tão bem quistos pelo Palácio do Planalto. Neste caso, se a oposição tiver papel decisivo no pleito, a situação pode trazer ainda mais riscos para Bolsonaro.

“Uma vez a oposição apoiando um candidato de Rodrigo Maia, e com ele e os partidos ao seu lado declarando independência, qual é o compromisso dessa turma, que vai ter o reforço da oposição, com a agenda de Bolsonaro?”, questiona Decat. O analista também acredita que o movimento pode ter relações com o cenário que se desenha para as eleições de 2022.

O assunto foi abordado na edição desta semana do podcast Frequência Política. Você pode ouvir a íntegra pelo SpotifySpreakeriTunesGoogle Podcasts e Castbox ou baixar o episódio clicando aqui.

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