Fundo de pensão da GE inova e passa a informar diariamente o valor das cotas aos 11 mil segurados

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SÃO PAULO – Para o investidor pessoa física acostumado a depositar alguma quantia em fundos de investimento, ter à disposição o acompanhamento diário da variação da cota no mercado não é nenhuma novidade. No universo dos fundos de pensão, no entanto, essa não costuma ser uma possibilidade. Pelo menos não até agora.

Até julho, o GEBSAPrev, fundo de pensão da General Eletric (GE), estava alinhado à prática corrente, de informe mensal, do setor. A partir da próxima segunda-feira (03), contudo, a entidade passará a divulgar diariamente a variação da cota de cada um dos três planos, permitindo, assim, o acompanhamento do portfólio de investimentos com lupa, de acordo com o perfil selecionado.

O fundo da GE tem cerca de 11 mil participantes, que acumulam um patrimônio de aproximadamente R$ 2,2 bilhões.

Ele será um dos primeiros, quicá o primeiro, entre as cerca de 250 Entidades Fechadas de Previdência Complementar (EFPC) do país, responsáveis pela poupança previdenciária de 7,5 milhões de segurados, a divulgar a variação da cota diária.

O diretor superintendente da GEBSAPrev, Acácio Carmo, reconhece que, apesar da medida, o investimento previdenciário não deve ser acompanhado com alta frequência, dado o foco na construção de um patrimônio a longo prazo. Ainda assim, o dirigente entende que o participante deve ter o serviço à disposição, caso queira ter acesso às informações com mais agilidade.

“A cota diária é uma questão de transparência importante”, afirma o dirigente, que diz ainda que a entidade vinha recebendo questionamentos de alguns participantes em busca de um acompanhamento mais apurado do desempenho de suas aplicações financeiras.

A maior sofisticação dos segurados também contribui para a demanda, observa Carmo, que aponta os juros baixos e o advento das plataformas abertas como razões que ajudam a entender o maior interesse dos participantes pelos investimentos.

Atenção à composição dos perfis

A GEBSAPrev oferece aos segurados cinco perfis de investimento, desde o super conservador, apenas com renda fixa de alta liquidez, até o super agressivo, em que o limite em ações é de 60%.

A opção mais arrojada é recente. Data do início de fevereiro de 2020 (portanto antes de a crise estourar no mercado brasileiro) e foi criada para fazer frente ao novo patamar da taxa básica de juros. As demais foram lançadas entre 2010 e 2014.

A entidade oferece ainda uma opção chamada “ciclo de vida”, em que a alocação em ativos de maior risco é automaticamente reduzida conforme o segurado envelhece.

No acumulado do ano, impulsionado pela recuperação da Bolsa após o tombo de março, o perfil super agressivo é o que apresenta o melhor rendimento, com ganho de 5,36%.

Já o perfil super conservador, em tese o que deveria estar menos sujeito à volatilidade, teve o pior desempenho, com queda de 0,50%. Embora tenha sofrido um pouco menos na fase mais aguda da crise, na volta, ficou para trás dos demais perfis.

O desempenho ruim do perfil super conservador não chama atenção apenas neste ano. Em 36 meses, por exemplo, ele acumula valorização de 16,10%, abaixo da variação do CDI (18,70%).

Compõem sua carteira quatro fundos de renda fixa de curto prazo – Santander Fairfield, CA Vitesse, Sparta Top e Itaú Active Fix –, que preveem em sua política ter uma parcela alocada em crédito privado. Com maior risco, a estratégia busca gerar um retorno excedente em relação ao benchmark, mas, na crise, a tese se provou justamente o contrário.

Mais uma razão para o participante do fundo de pensão acompanhar ainda mais de perto a trajetória de seu investimento.

Para possibilitar a adoção da cota diária, diz o diretor da GEBSAPrev, o reduzido corpo interno da fundação, com cinco pessoas contando com ele, não seria capaz de dar conta do aumento no volume de trabalho.

Por isso, a entidade optou por terceirizar o serviço para a gestora de patrimônio i9 Capital, que já era a responsável pela alocação dos recursos da fundação da GE.

Devagar com o andor

Para Luis Ricardo Martins, presidente da Abrapp, associação nacional do setor, a divulgação da cota em uma periodicidade mensal é “plenamente satisfatória” para o objetivo previdenciário de longo prazo ao qual os fundos de pensão se propõem.

O início do pagamento do benefício de boa parte da massa de beneficiários está programado apenas para os próximos 10 ou 20 anos, lembra.

Se o participante acompanhasse com muita frequência a variação das cotas, diz o dirigente, em março, teria sofrido bastante com a forte queda da Bolsa. Por outro lado, apenas pouco mais de três meses depois, o mercado já se recuperou de boa parte do tombo, observa Martins.

De todo modo, o presidente da Abrapp reconhece a importância de uma busca constante por aperfeiçoamentos na forma de comunicação da entidade com o participante. O dirigente cita como um importante avanço nesse sentido a publicação, em dezembro de 2019, da Resolução 32 do Conselho Nacional da Previdência Complementar (CNPC), órgão vinculado ao Ministério da Economia.

Entre os principais pontos, a resolução determina a obrigatoriedade de um site próprio para todas as entidades, com simuladores para que o participante saiba quanto contribuir para alcançar a aposentadoria almejada. “Transparência e credibilidade é tudo para o nosso segmento”, afirma o presidente da Abrapp.

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