EUA mantém suspensão temporária de testes para a vacina de Oxford

Pesquisadora de Oxford faz análise da vacina desenvolvida para o coronavírus, em 25 de junho — Foto: John Cairns/University of Oxford/AP 1 de 1
Pesquisadora de Oxford faz análise da vacina desenvolvida para o coronavírus, em 25 de junho — Foto: John Cairns/University of Oxford/AP

Pesquisadora de Oxford faz análise da vacina desenvolvida para o coronavírus, em 25 de junho — Foto: John Cairns/University of Oxford/AP

Os testes da vacina contra a Covid-19 desenvolvida em conjunto pela Universidade de Oxford e pela farmacêutica AstraZeneca continuam suspensos temporariamente nos Estados Unidos, segundo fontes da agência de notícias Reuters.

Nesta segunda-feira (14), o Brasil voltou com a terceira e última fase de testes da candidata britânica a uma vacina contra a Covid-19. O retorno dos testes foi anunciado no sábado pela AstraZeneca que não detalhou o caso de efeitos adversos em uma voluntária que fez com que eles fossem pausados.

Perguntada pela Rede Globo, a universidade britânica confirmou em nota que os ensaios clínicos de fase 3 foram retomados nos laboratórios do Reino Unido, do Brasil e da África do Sul. A Reuters diz que os EUA voltarão com os testes apenas depois de uma investigação própria.

A AstraZeneca disse em nota que a farmacêutica “vai seguir trabalhando com as autoridades de saúde de todo o mundo incluindo a FDA [agência regulatória norte-americana]”.

A testagem da vacina foi suspensa em todo o mundo na última terça (8), depois que uma participante apresentou um quadro de saúde que poderia estar relacionado com a vacina. Cientistas informaram que não foi encontrada relação de causa e efeito entre a vacina e os sintomas da paciente.

Etapas para a produção de uma vacina

Para se produzir uma vacina, leva tempo. A mais rápida desenvolvida até o momento foi a vacina contra a caxumba, que precisou de cerca de quatro anos até ser licenciada e distribuída para a população.

Antes de começar os testes em voluntários, a imunização passa por diversas fases de experimentação pré-clinica (em laboratório e com cobaias). Só após ser avaliada sua segurança e eficácia é que começam os testes em humanos, a chamada fase clínica – que são três:

  • Fase 1: é uma avaliação preliminar da segurança do imunizante, ela é feita com um número reduzido de voluntários adultos saudáveis que são monitorados de perto. É neste momento que se entende qual é o tipo de resposta que o imunizante produz no corpo. Ela é aplicada em dezenas de participantes do experimento.
  • Fase 2: na segunda fase, o estudo clínico é ampliado e conta com centenas de voluntários. A vacina é administrada a pessoas com características (como idade e saúde física) semelhantes àquelas para as quais a nova vacina é destinada. Nessa fase é avaliada a segurança da vacina, imunogenicidade (ou a capacidade da proteção), a dosagem e como deve ser administrada.
  • Fase 3: ensaio em larga escala (com milhares de indivíduos) que precisa fornecer uma avaliação definitiva da sua eficácia e segurança em maiores populações. Além disso, feita para prever eventos adversos e garantir a durabilidade da proteção. Apenas depois desta fase é que se pode fazer um registro sanitário.

Segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para se fazer um ensaio clínico no Brasil, é preciso da aprovação do Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (Conep), órgão vinculado ao Ministério da Saúde. Os voluntários são recrutados pelos centros de pesquisa.

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