Goiânia: em disputa fragmentada, 16 candidatos buscam cargo de prefeito na capital

Um dos berços do agronegócio no país, Goiânia (GO) está entre as quatro capitais com maior número de candidatos a prefeito para as eleições de 2020, tendo 16 nomes inscritos na disputa, segundo os dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A fragmentação é associada tanto ao fim das coligações proporcionais, que passou a ser proibida pelas novas normas em vigor, quanto à não tentativa de reeleição por parte do atual prefeito, Iris Rezende (MDB).   

Hoje com 86 anos, o emedebista, que já foi ministro da Justiça, senador e governador, anunciou desde o final de agosto que estaria fora da corrida. Ele pretende encerrar a vida política, o que abriu espaço para uma disputa mais pulverizada no jogo local.  

PT

Entre as opções do cenário, os eleitores do município têm a deputada estadual Adriana Accorsi (PT) como um dos destaques da corrida. Filha do primeiro prefeito eleito pelo PT na capital, Darci Accorsi, que venceu a disputa em 1992, a parlamentar não é novata na busca pelo cargo, ao qual concorreu em 2016, quando terminou em terceiro lugar, com 6,73% dos votos.  

De acordo com a pesquisa Serpes, divulgada no último sábado (26) pelo jornal goiano O Popular, ela está na segunda posição no ranking de intenções de voto, com 13,3%. A margem a coloca tecnicamente empatada com o candidato Maguito Vilela (MDB), que saiu em terceiro e registrou 13%.  

A petista é delegada e foi a primeira mulher a comandar a Polícia Civil de Goiás, em 2012. Associada ao combate à criminalidade, Adriana tem boa aderência entre determinados setores conservadores da classe média, ao mesmo tempo em que alcança também segmentos periféricos de regiões da cidade cujas ocupações foram regularizadas no mandato do pai.

Para a campanha deste ano, a delegada se uniu ao professor e também petista Pedro Wilson, que sairá como vice-prefeito na chapa. Ex-vereador no município, Wilson também foi deputado federal por Goiás em dois mandatos diferentes e prefeito de Goiânia entre os anos de 2001 e 2004.   

Psol  

No campo da esquerda, o eleitor goiano terá ainda como opção a professora Manu Jacob, que concorre pelo Psol. Ela foi a primeira candidata do pleito de 2020 a ter o nome chancelado para a corrida rumo à chefia do Poder Executivo municipal.

Mestre em Educação, a psolista foi escolhida durante convenção virtual do partido e, entre outras coisas, tem destacado a importância da atuação das mulheres na política, um terreno ainda caracterizado por fortes assimetrias de gênero. Também tem demarcado o interesse em combater a desigualdade social em Goiânia, já apontada pelas Nações Unidas, em 2012, como uma das cidades com mais desigualdade na América Latina.  

Manu terá como vice o arquiteto e urbanista Luis Felipe Aguiar. No cenário das disputas narrativa e político-ideológica, os dois deverão se associar às mais de 15 candidaturas aprovadas pelo partido para o cargo de vereador. Ao todo, duas delas são coletivas, um formato que vem sendo paulatinamente adotado no país.

PSB e PDT

O deputado federal Elias Vaz (GO) será o nome do PSB na disputa, tendo tido a candidatura oficializada pelo partido no último dia 16. Novato na corrida, o parlamentar é técnico em eletromecânica e bacharel em direito e já foi vereador por cinco mandatos. Ele começou a vida política ainda na adolescência, atuando no movimento estudantil.

Em suas manifestações acerca das eleições, Vaz tem feito um discurso voltado para áreas de atuação específicas em Goiânia. “Tenho a convicção de que somos preparados e temos o melhor projeto para Goiânia. Esse grupo vai construir propostas que realmente signifiquem transformação para a nossa capital, com avanços na mobilidade urbana, na saúde e na educação e que promovam justiça social”, disse, ao ter o nome confirmado pelo PSB.

O partido decidiu compor com o PDT, por isso a chapa de Elias Vaz tem como vice o empresário Genival Naves de Oliveira, primeiro vice-presidente da sigla em Goiânia.

Vanderlan lidera

Um dos nomes de força no jogo político é o do empresário e senador Vanderlan Cardoso (PSD), que atualmente lidera as pesquisas de intenção de voto com estimativas que vão de cerca de 17% a uma média de 22% dos apoios em Goiânia.

Ele se destaca na corrida também pelos bens declarados à Justiça Eleitoral. De acordo com os documentos apresentados pelos diferentes concorrentes ao TSE, Cardoso se sobressai, com um patrimônio que ultrapassa a soma do patrimônio dos demais adversários. O senador declarou R$ 14,6 milhões, enquanto os outros, juntos, contabilizam R$ 8,32 milhões.  

Ele se elegeu senador em 2018, quando obteve 31,42% dos votos. Apontado como alguém de boa relação com o governo Bolsonaro, Cardoso conquistou o apoio do atual governador de Goiás, o ruralista Ronaldo Caiado (DEM). Em entrevista à mídia local na segunda-feira (28), o mandatário disse que Vanderlan tem “livre trânsito” com a gestão e com os ministros.

Vanderlan terá como vice o também empresário Wilder Morais (PSC), que desistiu de concorrer a prefeito para compor com o PSD. Morais foi senador pelo estado de Goiás entre 2012 e 2019, além de secretário de Infraestrutura e também de Indústria e Comércio Exterior no estado. A chapa dos dois conta ainda com outras cinco siglas: DEM, PP, PTB, PMN e Avante.

Outros

A corrida rumo ao cargo máximo da Prefeitura de Goiânia tem ainda com outros 12 concorrentes. O ex-senador Maguito Vilela, que também foi vereador, deputado e governador de Goiás, será o candidato do MDB e tem aparecido entre os três primeiros nomes nas pesquisas de intenção de voto. Ele é o segundo mais rico da disputa em Goiânia, com um patrimônio declarado de R$ 2,7 milhões, e tem o apoio das siglas Patriota, Republicanos e PCdoB. A chapa conta com adesão de boa parte dos adeptos da gestão do atual prefeito, Iris Rezende (MDB).   

O advogado Cristiano Cunha irá concorrer pelo Partido Verde. Ele já atuou nos cargos de secretário de Meio Ambiente de Trindade (GO), secretário da prefeitura de Goiânia e procurador de Águas Lindas Goiás (GO).  

Já o policial militar conhecido como Major Araújo será o candidato do PSL. Atual deputado estadual pela terceira vez, ele tem a pastora Rose Castelo como vice na chapa. Outro nome conservador na disputa é o do candidato do Pros, Samuel Almeida, cujo vice, Marcelo Freitas (PRTB), foi indicado pelo vice-presidente da República, Hamilton Mourão. Freitas também tem vínculo político com o deputado federal Major Vitor Hugo (PSL), ex-líder do governo Bolsonaro na Câmara, e tem o nome associado à constituição do partido Aliança pelo Brasil em Goiás. A legenda ainda está em fase de criação e foi anunciada por Bolsonaro.

O empresário Gustavo Gayer será o nome do Democracia Cristã (DC). Professor de inglês, ele participa da Frente Conservadora de Goiânia, apoiadora do presidente Jair Bolsonaro (sem partido). Em maio deste ano, ele esteve em um dos protestos contra o Supremo e o Congresso Nacional, em Brasília (DF), e teve seu nome apontado como um dos agressores de enfermeiros que fizeram um ato político em memória das vítimas do coronavírus na Praça dos Três Poderes.    

Já o estudante Fábio Júnior teve o nome oficializado para representar o partido Unidade Popular (UP), legenda legalizada pelo TSE no final de 2019. O candidato estuda Economia na Universidade Federal de Goiás (UFG) e trabalha como motorista de aplicativo.   

O educador popular Antônio Vieira Neto será o nome do PCB. Ele concorreu ao cargo de senador pela sigla no pleito de 2014 e disputa pela primeira vez a chefia do Executivo municipal. Neto tem apresentado uma pauta que propõe a democratização do acesso aos serviços públicos e o combate à desigualdade. “Pela construção do poder popular e rumo ao socialismo”, argumenta o professor.

Também é novato na corrida à prefeitura o jornalista, ex-apresentador de TV e atual deputado estadual Alysson Lima, que será o candidato do Solidariedade. Pouco expressivo na disputa, o deputado estadual Thalles Barreto é o candidato tucano nesta eleição, enquanto Virmondes Cruvinel concorre pelo Cidadania e Vinicius Gomes pelo PCO.   

A vereadora Cristina Lopes (PL) foi a última a ser incluída no sistema do TSE. O registro da parlamentar na disputa veio depois de brigas internas com o partido e por isso a candidatura deve ir parar na Justiça. É que o PL fechou aliança com o MDB para apoiar a chapa de Maguito Vilela.