Lucas Correia, médico-veterinário da UniNassau Rio, esclarece a importância da vacinação contra raiva para cães e gatos que não saem de casa.
Mesmo os cães e gatos que permanecem dentro de casa, recebendo todos os cuidados necessários, devem ser vacinados anualmente contra a raiva. Essa é a opinião do médico-veterinário Lucas Correia. Em uma entrevista exclusiva, o profissional ressalta que a redução dos casos de raiva transmitidos por cães não indica a erradicação do vírus, já que morcegos e outros animais selvagens continuam a propagar a doença.
Coordenador do curso de Medicina Veterinária na UNINASSAU Rio de Janeiro, Lucas destaca que um morcego contaminado pode cair em quintais, varandas ou até adentrar residências. Por isso, a campanha de vacinação municipal deste sábado (8) serve como um alerta para os tutores que acreditam erroneamente que seus pets “caseiros” estão livres de riscos.
A importância da vacinação anual contra a raiva
A percepção de muitos tutores é de que a raiva não representa mais uma ameaça iminente. Entretanto, para Lucas Correia, essa falsa sensação de segurança é, na verdade, um risco.
“A raiva é uma enfermidade com taxa de mortalidade quase total, tanto em animais quanto em humanos”, alerta o médico-veterinário.
O veterinário explica que a vacinação anual continua sendo essencial, pois o vírus ainda está presente. Embora as circunstâncias tenham mudado, o perigo persiste.
“Cães e gatos permanecem vulneráveis às diversas variantes do vírus mantidas por morcegos e outros animais selvagens. Portanto, é imprescindível continuar com a vacinação anual”, esclarece.
Dessa forma, o problema não se limita mais à imagem antiga do cão raivoso vagando pelas ruas. Hoje, o risco pode surgir através de animais silvestres nas áreas urbanas.
Morcegos podem aparecer em diversos locais
A presença dos morcegos se torna cada vez mais significativa na disseminação da raiva. Assim, o alerta é válido para casas, prédios e condomínios.
“Um morcego doente pode cair em quintais, varandas, jardins ou até mesmo entrar em residências”, afirma Lucas.
A curiosidade dos cães pode levá-los a se aproximar desses morcegos por brincadeira ou instinto protetor.
No caso dos gatos, vale ressaltar sua natureza predatória.
“Enquanto os cães podem brincar ou morder esses animais, gatos frequentemente os caçam devido ao seu instinto natural”, observa o veterinário.
Dessa maneira, o contato entre pets e morcegos não depende apenas de passeios externos; ele pode ocorrer dentro do lar ou em áreas comuns.
E quanto aos gatos que vivem em apartamentos?
A resposta é clara segundo Lucas: sim. Gatos que habitam exclusivamente apartamentos também necessitam receber anualmente a vacina antirrábica.
“Nenhuma residência está completamente isolada da possibilidade da entrada de um morcego portador da raiva”, adverte.
A rotina do animal pode mudar repentinamente; situações como fugas ou visitas ao veterinário são comuns.
“Acidentes como fugas ou contato acidental com outros animais podem acontecer”, acrescenta Lucas.
Dessa forma, os tutores não devem avaliar os riscos somente pela frequência das saídas dos animais.
Ações diante da presença de um morcego
A aparição de um morcego dentro de casa ou próximo ao pet requer atenção imediata. A primeira recomendação é evitar tocar no animal.
“Nunca toque no morcego. Isole a área e impeça o acesso de pessoas e outros animais”, orienta Lucas.
A seguir, deve-se contatar o serviço municipal responsável. No Rio de Janeiro, conforme informa o médico-veterinário, isso pode ser feito através da Central 1746.
Caso ocorra algum contato direto entre o morcego e o pet, é fundamental buscar atendimento veterinário imediatamente.
“Se houver contato direto entre o morcego e seu animal de estimação, procure um <strong)médico-veterinário imediatamente para avaliação”;, recomenda ele.
Morcegos encontrados durante o dia ou com comportamento anormal também merecem atenção especial.
Sintomas podem surgir tardiamente
A raiva apresenta diversos sintomas em cães e gatos. Por isso, alterações súbitas no comportamento devem ser motivo de preocupação.
Lucas menciona sinais como a inquietação, agressividade incomum, salivação excessiva e dificuldades para engolir. Alterações na vocalização e paralisia progressiva também são indicativos importantes.
“Mudanças comportamentais como inquietação ou agressividade incomum podem ocorrer juntamente com salivação excessiva e dificuldade para engolir”, detalha ele.
No entanto, há uma complicação relevante: um animal infectado pode transmitir o vírus antes mesmo da manifestação dos sintomas visíveis.
“Um animal infectado pode liberar o vírus pela saliva antes da apresentação dos sinais clínicos,” enfatiza o veterinário.
Deste modo, eventuais mordidas ou arranhões exigem avaliação cuidadosa.
Mitos sobre vacinação ainda persistem entre tutores
Mitos sobre vacinação ainda persistem entre tutores
- Tutores costumam repetir algumas frases que justificam não vacinar seus pets.
- A primeira é:
The first is:
Tutores costumam repetir algumas frases que justificam não vacinar seus pets.
The first is:
- “Meu pet não sai de casa.” Para Lucas Correia essa justificativa ignora os riscos potenciais de contatos acidentais.
Outro equívoco comum é acreditar que a doença foi erradicada.
