As regras de contribuição da Previdência Social costumam causar confusão entre os trabalhadores brasileiros. Muitos ainda têm dúvidas sobre quanto realmente vão receber ao se aposentar e, no caso dos autônomos, a situação é ainda mais complexa. Afinal, vale mais a pena contribuir com o valor mínimo, estipular um pró-labore simbólico ou planejar um pagamento maior para garantir um benefício mais alto no futuro?
Nos bastidores da Previdência, circula a promessa tentadora de que é possível se aposentar recebendo cerca de R$ 5.000 por mês com apenas 15 anos de contribuição, desde que o segurado passe a contribuir com base no teto. No entanto, especialistas alertam: a realidade pode ser bem diferente.
Para o advogado previdenciário e trabalhista Dr. Márcio Coelho, essa estratégia é “extremamente arriscada e pode gerar grande decepção” entre os que acreditam que o investimento garantirá uma aposentadoria robusta. “Corre-se o risco palpável de, nesse período, sobrevir uma nova reforma da Previdência e mudar as leis de tal forma que impeça o segurado de receber a tão sonhada renda mensal. De fato, vozes autorizadas em Brasília já comentam essa possibilidade”, destaca o especialista.
Segundo ele, há ainda outro fator que costuma ser ignorado por quem segue esse tipo de plano: “Anualmente, o teto de contribuição é majorado, o que se torna outro obstáculo e interfere negativamente no valor real da futura aposentadoria”, explica o advogado.
Diante de tantas incertezas, a recomendação do Dr. Márcio Coelho é que os trabalhadores mantenham os pés no chão e adotem uma postura mais realista. “As contribuições mensais devem ser feitas de acordo com os ganhos de cada pessoa, sem projetos específicos e ilusórios. A legislação previdenciária brasileira é extremamente variável, e o planejamento precisa levar isso em consideração”, orienta.
O alerta serve especialmente para profissionais autônomos e empreendedores que, em busca de segurança financeira, podem acabar comprometendo recursos sem a garantia de retorno. A palavra de ordem, segundo o especialista, é planejar com base na realidade, não em promessas.
