A proteção das informações pessoais se tornou um tópico central na saúde digital. Com o crescimento do uso de prontuários eletrônicos, aplicativos de saúde, telemedicina, plataformas de exames, inteligência artificial e sistemas integrados, clínicas, hospitais e profissionais de saúde enfrentam um aumento considerável na quantidade de dados sensíveis que gerenciam.
Luiz Gustavo Mori, um especialista em tecnologia, ressalta que a salvaguarda dos dados no setor da saúde vai além de uma exigência técnica ou legal; trata-se de uma questão que envolve confiança, ética e a segurança do paciente.
“Informações relacionadas à saúde expõem aspectos extremamente íntimos da vida de um indivíduo. Proteger esses dados é fundamental para resguardar a dignidade, a privacidade e a confiança entre pacientes e instituições”, declara Luiz Gustavo Mori.
A importância dos dados de saúde
A Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD) estabelece diretrizes para o manejo de dados pessoais em formatos físicos e digitais por entidades públicas e privadas. O Ministério da Saúde enfatiza que essa legislação visa proteger os direitos fundamentais à liberdade e à privacidade dos cidadãos.
No contexto da saúde, essa vigilância precisa ser ainda mais rigorosa. A Autoridade Nacional de Proteção de Dados já afirmou que os dados relacionados à saúde são considerados sensíveis pela LGPD e devem receber um tratamento apropriado para assegurar a privacidade e a segurança dos titulares.
Essas informações sensíveis podem incluir:
- Dados contidos em prontuários médicos;
- Resultados de exames;
- Histórico médico;
- Prescrições médicas;
- Informações genéticas;
- Dados biométricos;
- Relatórios psicológicos;
- Tratamentos em curso;
- Dados sobre cirurgias realizadas;
- Informações sobre planos de saúde;
- Histórico de internações.
Para Luiz Gustavo Mori, a natureza sensível dessas informações exige uma abordagem cautelosa.
“Um vazamento envolvendo dados financeiros é sério. Porém, o vazamento de informações sobre saúde pode revelar condições médicas e tratamentos pessoais. As consequências para as pessoas afetadas e para a reputação das instituições envolvidas podem ser imensamente mais graves”, explica.
A confiança do paciente está atrelada à segurança
A relação entre o paciente e o profissional da saúde fundamenta-se na confiança. Quando alguém busca atendimento médico, compartilha informações pessoais que dificilmente revelaria em outros contextos.
Caso uma clínica, hospital ou plataforma digital não proteja adequadamente essas informações, essa confiança pode ser comprometida.
Luiz Gustavo Mori afirma que a segurança dos dados se tornou parte integrante da experiência do paciente.
“O paciente deve sentir que está sendo cuidado não apenas no aspecto clínico, mas também na maneira como suas informações são armazenadas, acessadas e utilizadas”, ressalta.
A digitalização trouxe novos desafios
A transformação digital trouxe uma série de benefícios ao setor da saúde. O Ministério da Saúde informa que iniciativas como o Meu SUS Digital buscam facilitar o acesso às informações em saúde, promovendo continuidade no cuidado, transparência e segurança dos dados.
No entanto, à medida que mais dados são gerados em ambientes digitais, aumenta também a necessidade por proteção. Sistemas mal configurados, senhas fracas, acessos indevidos, ausência de backups adequados, fraudes virtuais e falta de treinamento adequado podem criar vulnerabilidades significativas.
Conforme Luiz Gustavo Mori observa, digitalizar sem implementar medidas de proteção é um erro crítico.
“A evolução da saúde digital deve acontecer simultaneamente com a segurança digital. Modernizar o atendimento não é suficiente se os dados dos pacientes estiverem expostos”, alerta.
A gravidade dos vazamentos na área da saúde
Um incidente envolvendo vazamento de dados na área da saúde pode acarretar consequências severas tanto para os pacientes quanto para as instituições envolvidas. Além dos danos financeiros e legais, há riscos associados à exposição indevida das informações pessoais, discriminação e uso fraudulento dos dados coletados.
Dentre os principais riscos estão:
- Exposição indevida de diagnósticos e tratamentos;
- Uso impróprio das informações pessoais;
- Fraudes com base nas informações dos pacientes;
- Acesso não autorizado aos prontuários médicos;
- Ciberataques utilizando dados médicos;
- Danos à imagem institucional;
- Perca da confiança do paciente;
- Punições administrativas e judiciais.
Luis Gustavo Mori enfatiza que as repercussões de uma falha podem ultrapassar questões técnicas.
“Quando ocorrem vazamentos relacionados à saúde, as instituições não perdem apenas arquivos; elas correm o risco de perder credibilidade junto ao público”, afirma ele.
A importância do controle de acesso
Nem todos os funcionários dentro de uma instituição médica precisam ter acesso irrestrito às informações dos pacientes. Um dos princípios fundamentais para garantir a proteção dos dados é assegurar que cada membro da equipe tenha acesso apenas às informações necessárias para suas atividades profissionais.
Isto requer controles baseados em perfis específicos, autenticação robusta, acompanhamento das atividades registradas e avaliações periódicas dos usuários autorizados.
Luis Gustavo Mori acredita que um controle eficaz reduz os riscos tanto internos quanto externos.
“Uma política sólida de segurança define quem tem permissão para acessar determinadas informações, quais os motivos dessa autorização e sob quais circunstâncias isso pode ocorrer. Esse controle minimiza exposições desnecessárias e facilita a identificação rápida de irregularidades”, explica.
A capacitação das equipes é imprescindível
A tecnologia isoladamente não resolve todos os problemas relacionados à segurança. Muitos incidentes decorrem do erro humano — seja por clicar em links suspeitos ou compartilhar senhas erroneamente — ou pela falta de cuidados como deixar sistemas abertos em computadores compartilhados.
Dessa forma, clínicas, hospitais e laboratórios devem investir no treinamento contínuo suas equipes sobre práticas seguras relacionadas à proteção dos dados pessoais.
Luis Gustavo Mori enfatiza que a cultura organizacional deve incluir essa proteção como parte fundamental das operações diárias.
“Não adianta possuir um sistema seguro se as pessoas não souberem utilizá-lo corretamente. Cada informação relacionada ao paciente requer atenção especial”, destaca ele.
Soluções digitais precisam ser seguras
A presença crescente de aplicativos e plataformas digitais na vida cotidiana dos pacientes facilita agendamentos médicos, acesso a resultados laboratoriais e comunicação com profissionais da saúde. Contudo, essas soluções devem adotar rigorosas normas voltadas à segurança como criptografia adequada e autenticação robusta além de políticas claras sobre privacidade no tratamento das informações coletadas.
O Ministério da Saúde declarou em 2026 que resguardar os dados pessoais dos usuários do SUS é essencial dentro das estratégias para transformação digital do setor com foco na governança responsável das informações.
Luiz Gustavo Mori argumenta que qualquer aplicativo voltado à saúde deve ser desenvolvido com medidas robustas desde sua concepção.
“Plataformas voltadas ao setor são responsáveis por lidar com dados críticos; portanto sua segurança não pode ser tratada como um aspecto secundário ou pós-desenvolvimento”, afirma ele.
A inteligência artificial demanda cuidados redobrados
A inteligência artificial possui um grande potencial para otimizar diagnósticos médicos organizando prontuários analisando exames prevendo riscos entre outras funções benéficas ao atendimento ao paciente; no entanto seu uso deve ocorrer dentro parâmetros éticos respeitando sempre a privacidade.
Sistemas baseados em IA dependem fortemente do acesso aos dados; portanto se essas informações forem manipuladas sem critérios adequados ou sem anonimização podem surgir dilemas éticos sérios.
Luiz Gustavo Mori reforça que inovação deve seguir acompanhada por responsabilidade.
“A inteligência artificial pode revolucionar o campo da medicina mas isso não deve comprometer os direitos individuais; toda nova tecnologia deve operar dentro limites claros respeitando sempre as normas sobre privacidade”, conclui ele.
Dicas essenciais para proteger dados na área da saúde
A proteção das informações no setor da saúde requer ações técnicas organizacionais educacionais abrangentes incluindo:
- Mapeamento detalhado sobre quais dados são coletados incluindo propósitos específicos;
- Coleção somente das informações estritamente necessárias;
- Manejo rigoroso sobre permissões concedidas;
- Implantação do sistema 2FA para autenticação segura;
- Cifragem rigorosa nos registros sensíveis;
- Mantimento constante atualizado nos softwares utilizados;xa0
