Rio de Janeiro

Desfile de Carnaval 2026 da Unidos de Padre Miguel impressiona com luxo de Clara Camarão, mas não conquista totalmente.

Carnaval 2026: Unidos de Padre Miguel esbanja luxo com Clara Camarão mas desfile não arrebata | João Salles/Riotur

CARNAVAL 2026: Unidos de Padre Miguel exibe luxo monumental na Série Ouro, mas coloca componente para sofrer com adereços pesados, samba triste e evolução marcada à passo  | João Salles/Riotur

direto ao ponto: O que você precisa saber agora

  • •Luxo vs. Evolução: A Unidos de Padre Miguel impressionou pelo gigantismo visual, mas o peso excessivo das fantasias tirou a espontaneidade do desfile;
  • •Teatralização: Apresentação marcada por uma estética densa e falta de alegria melódica
  • •Força do Enredo: O tema sobre a heroína indígena Clara Camarão trouxe profundidade cultural e ancestralidade (Jurema Sagrada), mas a execução técnica não acompanhou a poesia visual;
  • •Polêmica: A reportagem destaca a postura desrespeitosa da presidente Lara Mara no grito de guerra, considerado inapropriado e destoante da proposta cultural da escola.

Por André Freitas

Diretor-executivo e repórter do Folha do Leste, desde os anos 1990 cobrindo carnaval direto da Marquês de Sapucaí

De Niterói • Atualização às 06h44

Boi Vermelho, símbolo da agremiação, no abre-alas da Unidos de Padre Miguel | Alex Ferro/Riotur

A Unidos de Padre Miguel impôs um padrão de luxo monumental na Sapucaí nesta primeira noite da Série Ouro, consolidando-se como melhor dentre as que desfilaram anteriormente. Com o enredo focado na heroína indígena Clara Camarão, a agremiação da Vila Vintém elevou o patamar visual da noite. Entretanto, a excessiva teatralização de sua exibição, a falta de momentos melódicos alegres no samba e o peso das fantasias de diversas alas, a nosso ver, comprometeram quesitos como evolução e harmonia.

Luxo e peso nas fantasias da Unidos de Padre Miguel, que em 2026 tenta voltar ao Grupo Especial | Lucas Vitorio/Riotur

Samba não ajudou, arrogância muito menos

A apresentação, marcada pela afinação perfeita dos intérpretes Bruno Ribas e Lissandra Oliveira, ficou ofuscada por detalhes técnicos. O principal deles, o samba-enredo, que serviu ao desfile apesar da melodia triste e melancólica. Não à toa, a agremiação vive no limbo do carnaval há anos, por não se aceitar como uma agremiação de segundo grupo.

Mais uma ala em que o componente ficou limitado pela dimensão e peso da roupa | Bianca Santos/Riotur

Como quem deseja provar o contrário, exagera na opulência. Assim sendo, a UPM despeja peso em seus figurantes. Eles carregam o excesso de elementos alegóricos — que não cabem nos gigantescos carros —  em seus ombros e cabeças por centenas de metros. A lógica fala por si só, e revela como impraticável sambar, cantar e carregar peso ao mesmo tempo.

Análise de Pista: Luxo, Teatralização e Evolução

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