Livia Villar*
A liderança feminina deixou de ser tendência para se tornar realidade estratégica dentro das grandes redes de franquias no Brasil. Cada vez mais, mulheres ocupam posições decisivas, mesmo em setores onde a predominância de executivos do sexo masculino é histórica, influenciando crescimento, cultura organizacional e performance financeira com uma combinação poderosa de visão estratégica, gestão humanizada e foco em resultado. No universo das franquias – que exige padronização, expansão estruturada e capacidade de adaptação regional – essa presença tem se mostrado ainda mais relevante. Segundo dados da Associação Brasileira de Franchising, a participação feminina no setor de franquias cresce de forma consistente, tanto como franqueadas quanto em cargos de liderança nas franqueadoras, 51% das unidades franqueadas no Brasil são operadas por mulheres e em média 30% dos cargos de liderança nas franqueadoras são ocupados por mulheres. Esse movimento acompanha uma transformação cultural mais ampla, mas no franchising ganha força por um motivo claro: resultado. Mulheres líderes têm se destacado por vários aspectos, entre os quais a forte capacidade de organização e execução; a comunicação assertiva e proximidade com franqueados; a gestão baseada em indicadores sem perder o olhar humano; e a visão estratégica aliada à sensibilidade de mercado. Na gestão da rede de franqueados pela qual sou a principal responsável – uma marca em expansão no mercado de locação de veículos –, essa realidade é prática diária. O crescimento estruturado da operação tem uma presença feminina forte na linha de frente das decisões estratégicas. Um dos aspectos que os próprios franqueados destacam é o toque feminino no atendimento. A expansão não acontece apenas pelo aumento de unidades, mas pela consolidação de processos, suporte ao franqueado e inteligência comercial – áreas coordenadas por mulheres, que vivem o negócio no detalhe. Crescer por crescer não sustenta uma rede. O foco do time é a padronização, eficiência operacional e suporte constante ao franqueado. A expansão precisa ser estruturada, com processos claros e acompanhamento próximo. Esse direcionamento estratégico permite otimizar a curva de aprendizado e fortalecer resultados desde os primeiros meses. Importante ressaltar que a expansão não deve ser medida apenas pela abertura de novas unidades, mas também pelo fortalecimento da marca em cada região onde ela avança. O desafio é trabalhar com cada franqueado para que este tenha estratégias comerciais alinhadas ao mercado local, mas mantendo a identidade e a força da rede. Dessa forma, a estratégia comercial une construção de marca, campanhas regionais, inteligência de sazonalidade e posicionamento competitivo frente a grandes players, com agilidade e personalização. Grandes redes que desejam crescer de forma sólida precisam entender que diversidade não é discurso – é estratégia. A liderança feminina agrega múltiplas perspectivas, amplia capacidade de inovação e fortalece a tomada de decisão. No franchising moderno, crescer é importante. Mas crescer com estrutura, inteligência e liderança forte faz toda a diferença.
*Lívia Villar é CEO da rede de franquias Locarx Aluguel de Carros. Vice-presidente da Fenaloc, Federação Nacional das Locadoras de Veículos e Conselheira da ABLA- Associação Brasileira das Locadoras de Automóveis.
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