*Por Eric Marques
Nos fundos de pensão, a revisão da política de investimentos com base no estudo de macroalocação é uma prática essencial que deve ser realizada anualmente. Com ela, é possível avaliar se os benchmarks adotados permanecem aderentes às projeções de mercado e às necessidades dos planos, sem correr riscos adicionais de maneira desnecessária.
Nos últimos anos, o ambiente de juros elevados incentivou um movimento natural de concentração dos recursos em renda fixa, algumas vezes com alocações relevantes em ativos na curva. Esse comportamento foi reforçado por experiências negativas em classes de maior risco, levando diversos investidores institucionais a reduzirem sua exposição, diminuindo a diversificação das carteiras.
Se, por um lado, esta estratégia busca aproveitar a escalada da taxa básica e garantir retorno elevado com baixo risco de perdas, por outro, esse posicionamento carrega outro risco crescente. Trata-se da dependência excessiva do CDI em um contexto de mudança de ciclo.
A decisão do Comitê de Política Monetária do Banco Central (COPOM) de iniciar a redução da taxa básica de juros sinaliza a importância para um regime de retornos, no qual estratégias excessivamente conservadoras tendem a apresentar maior dificuldade em superar o seu benchmark de referência.
O início da trajetória de queda da Selic já era esperada pelo mercado. Se confirmadas as últimas previsões divulgadas pelo Boletim Focus, a taxa básica de juros da economia deve encerrar o ano de 2026 entre 12,25% e 12,5%, recuando para 10,50% em 2027 e 10% em 2028.
Em um cenário como este, de recuo gradual dos juros básicos, a política de investimentos dos fundos de pensão precisa reavaliar a sua estratégia considerando o impacto na rentabilidade das carteiras e as alternativas para melhoria da performance. Em outras palavras, a diversificação deixa de ser apenas uma opcionalidade e passa a ser uma necessidade estrutural para os fundos de pensão.
Classes como renda variável, multimercados, investimentos no exterior e crédito privado assumem papel relevante na busca por prêmios de risco adicionais, contribuindo para a construção de portfólios mais resilientes e aderentes aos objetivos de longo prazo dos planos.
O desafio, portanto, não está apenas em revisar os benchmarks, mas em reavaliar a própria tolerância ao risco e a capacidade de capturar oportunidades em um ambiente de juros mais baixos.
*Eric Marques é Consultor da LUZ Soluções Financeiras
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