Jefferson da Linave foi vítima de disparos de policiais enquanto dirigia pela Avenida Brasil; ele fazia parte de um grupo político que apoia Flávio Bolsonaro, do PL, e advoga pela raspagem da numeração das munições | Reprodução
Na noite da última segunda-feira (19), a polícia militar ceifou a vida de Jefferson Dias da Silva, mais conhecido como Jefferson da Linave. O ex-vereador e secretário de Desenvolvimento Econômico de Queimados estava trafegando pela Avenida Brasil, localizada na Zona Norte do Rio de Janeiro. Este trágico evento ocorreu apenas alguns dias antes do 2º turno das eleições presidenciais, que opõe o presidente Lula, do PT, ao senador Flávio Bolsonaro, do PL, partido com o qual o grupo político do falecido mantinha uma aliança.
Imagens registradas por motoristas presentes no local mostram os policiais abrindo fogo contra o veículo. Testemunhas também presenciaram a ação na pista em direção à Zona Oeste, nas proximidades de Bonsucesso. A Delegacia de Homicídios da Capital agora investiga as circunstâncias que levaram os agentes a disparar.
Ação policial resultou em disparos contra o veículo
Conforme informações fornecidas pela PM, uma tentativa de abordagem ao automóvel foi realizada pelos agentes do 22º BPM. Entretanto, a corporação não esclareceu as razões que motivaram os tiros, deixando muitas questões sem resposta.
Imagens chocantes: Vídeos capturados por motoristas e testemunhas documentam o momento em que policiais militares disparam contra o carro de Jefferson Dias da Silva (Jefferson da Linave), secretário de Desenvolvimento Econômico e ex-vereador de Queimados, na Avenida Brasil. https://t.co/jH5S3chBZN
— Folha do Leste – Portal de Notícias (@FolhadoLesteRJ) October 20, 2026
Por outro lado, relatos de testemunhas indicam que Jefferson não teria obedecido à ordem para parar. Contudo, essa afirmação não justifica o uso da força letal por parte dos policiais. A perícia irá confrontar esses depoimentos com as gravações feitas pelos motoristas. Além disso, as câmeras corporais dos agentes também serão analisadas.
A Polícia Civil já tomou depoimentos dos policiais envolvidos na ocorrência. Enquanto isso, a PM realiza uma investigação interna para averiguar a conduta da equipe durante o incidente.
Morte impacta grupo político aliado a Flávio Bolsonaro
Filiado à Democracia Cristã (DC), Jefferson era parte integrante do governo municipal do prefeito Glauco Kaizer (União Brasil), além de estar vinculado ao grupo político local que apoia o senador Flávio Bolsonaro (PL), concorrente no 2º turno das eleições 2026 contra o atual presidente Lula (PT). Uma carreata havia sido convocada por Kaizer e pelo senador Carlos Portinho (PL) para esta terça-feira (20), mas foi cancelada em razão da morte do secretário.
A tragédia levanta contraditoriamente questões sobre a retórica política desses aliados. Jefferson pertencia a um grupo que defende maior acesso às armas, enquanto foi fatalmente atingido por policiais armados em plena via pública.
Adicionalmente, Flávio Bolsonaro apoiou um projeto que elimina a necessidade de marcação das munições adquiridas pelas forças de segurança, uma medida que facilita o rastreamento dos cartuchos. Dessa forma, a discussão sobre rastreabilidade se torna ainda mais relevante diante deste trágico incidente que demanda uma apuração detalhada dos disparos efetuados.
No comunicado sobre o cancelamento da carreata, Kaizer e Portinho chamaram Jefferson de amigo e expressaram suas condolências à sua esposa Cíntia e à filha. A convocação para esse ato havia sido feita em 15 de outubro.
Análise das câmeras e perícia serão fundamentais para esclarecer os disparos
Os investigadores têm como objetivo entender os motivos por trás da abordagem e quantificar quantos policiais efetuaram os disparos. Precisam também determinar quantas balas atingiram o veículo e quais imagens foram captadas antes dos tiros serem disparados.
Por fim, será essencial explicar as razões que levaram à decisão de abrir fogo. Essa é uma resposta aguardada tanto pela família de Jefferson quanto pela comunidade local em Queimados.
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