Para Edson Braga, crises não revelam apenas a dimensão dos problemas, mas também colocam à prova liderança, paciência, relacionamentos, princípios e a qualidade do caráter construído ao longo do tempo
Diante de uma crise, uma das perguntas mais naturais é saber quando aquele período terminará.
Quando o problema será resolvido?
Quando a tranquilidade voltará?
Quando será possível retomar os planos?
Para Edson José Bandeira Braga Filho, também conhecido como Edson Braga, existe, porém, uma segunda pergunta que pode ser ainda mais importante:
Quem estamos nos tornando enquanto isso não passa?
A reflexão parte de uma imagem apresentada em Provérbios 17, na qual o crisol é associado à prata, o forno ao ouro e o coração humano é colocado diante de uma prova.
Para Edson, a metáfora do fogo ajuda a compreender determinadas fases da existência.
O ouro passa pelo processo de refinamento para que elementos diferentes sejam separados. De maneira semelhante, momentos de pressão podem revelar comportamentos, medos, virtudes e fragilidades que períodos tranquilos dificilmente conseguiriam expor.
Não significa considerar todo sofrimento necessário ou desejável.
Mas, quando a dificuldade inevitavelmente chega, existe uma possibilidade: atravessá-la apenas esperando que termine ou permitir que alguma coisa seja aprendida e transformada durante o caminho.
A dificuldade pode revelar aquilo que a tranquilidade escondia
É relativamente simples defender determinados valores quando eles não exigem qualquer sacrifício.
É fácil falar sobre equilíbrio quando não existe pressão.
Defender paciência quando ninguém está testando limites.
Falar sobre generosidade em períodos de abundância.
Demonstrar confiança quando os planos acontecem exatamente como esperado.
A dificuldade altera esse cenário.
Ela pressiona.
Reduz margens.
Expõe comportamentos.
Coloca decisões sob tensão.
Segundo Edson Braga, talvez a adversidade nem sempre crie imediatamente determinadas características.
Em muitos casos, ela apenas revela aquilo que já estava sendo construído silenciosamente.
É quando existe pressão que determinadas convicções deixam de ser apenas discurso e começam a ser observadas na prática.
É durante a crise que a liderança aparece
No ambiente empresarial, esse processo se torna especialmente evidente.
Quando o caixa está saudável, os resultados crescem e a equipe está motivada, muitas decisões parecem relativamente simples.
Mas organizações também enfrentam momentos diferentes.
Mercados mudam.
Projetos podem fracassar.
Profissionais importantes deixam a empresa.
Sócios discordam.
Clientes desaparecem.
O caixa aperta.
E algumas decisões precisam ser tomadas sem que todas as informações estejam disponíveis.
Para Edson José Bandeira Braga Filho, esses momentos mostram com maior clareza a qualidade de quem lidera.
Uma frase utilizada por ele resume essa responsabilidade:
“O líder maduro absorve pressão e devolve direção.”
Isso não significa esconder problemas.
Nem fingir que tudo está bem.
Uma liderança responsável precisa dizer a verdade, inclusive quando ela é difícil.
A diferença está na capacidade de não transformar a ansiedade individual em descontrole coletivo.
Transparência não significa transferir o pânico para a equipe
Uma equipe pode enfrentar uma notícia ruim.
Pode compreender que determinados resultados ficaram abaixo do esperado.
Pode ser informada sobre uma dificuldade financeira.
Mas, segundo Edson Braga, existe diferença entre compartilhar a realidade e transmitir desespero.
A liderança precisa criar clareza em meio à incerteza.
Mostrar aquilo que é conhecido.
Reconhecer aquilo que ainda não possui resposta.
Apresentar prioridades.
Indicar os próximos passos.
Para Edson José Bandeira Braga Filho, em períodos de tempestade, as pessoas não esperam que o líder possua controle absoluto sobre todas as circunstâncias.
Mas procuram perceber se existe alguém capaz de permanecer consciente enquanto a situação exige decisões difíceis.
Nem toda decisão precisa ser tomada no calor do problema
Outro aprendizado destacado por Edson está relacionado à temperatura emocional das escolhas.
Quando alguém está ferido, pressionado, irritado ou com medo, a tendência é reagir.
Responder imediatamente.
Romper.
Atacar.
Vencer.
Provar que está certo.
O problema é que uma emoção temporária pode produzir uma consequência permanente.
Isso acontece nos negócios.
Nas sociedades empresariais.
Nos casamentos.
Nas amizades.
E também na relação entre pais e filhos.
Para Edson Braga, esperar não significa necessariamente fraqueza.
Em determinados momentos, pode representar disciplina.
Permitir que a temperatura emocional diminua antes de tomar uma decisão pode evitar que alguns minutos de raiva provoquem consequências que permanecerão durante anos.
Nem toda batalha precisa ser vencida
A reflexão também aborda o conflito.
Edson utiliza outra imagem de Provérbios 17, na qual o início de uma contenda é comparado à abertura das águas.
Depois que determinadas palavras são ditas, torna-se difícil controlar aquilo que produzirão.
Uma discussão pequena pode se transformar em rompimento.
Uma divergência empresarial pode comprometer uma sociedade inteira.
Uma palavra dita durante uma briga familiar pode produzir uma ferida que levará anos para ser reparada.
Por isso, para Edson José Bandeira Braga Filho, existe uma diferença importante entre defender um princípio e defender o próprio orgulho.
Algumas batalhas precisam ser enfrentadas.
Valores importantes exigem posicionamento.
Conversas difíceis não devem ser evitadas permanentemente.
Mas também existem discussões que podem ser vencidas do ponto de vista argumentativo e perdidas em praticamente todos os outros sentidos.
Perde-se confiança.
Respeito.
Relações.
Às vezes, pessoas.
O que exatamente estamos tentando proteger?
Antes de entrar em determinadas disputas, Edson Braga considera importante formular uma pergunta:
“Estou tentando proteger um princípio ou o meu ego?”
As duas coisas podem parecer semelhantes quando existe emoção envolvida.
Mas produzem decisões muito diferentes.
Um princípio pode exigir firmeza.
O ego frequentemente exige vitória.
O princípio busca coerência.
O orgulho pode buscar humilhação do outro.
Reconhecer essa diferença exige consciência.
E, muitas vezes, maturidade suficiente para perceber que não responder também pode ser uma escolha.
As dificuldades também revelam quem permanece
Crises não revelam apenas características individuais.
Também revelam relações.
Durante períodos de prosperidade, muitas pessoas podem estar próximas.
Nos momentos difíceis, algumas relações assumem outro significado.
Edson José Bandeira Braga Filho utiliza a ideia de que o amigo permanece em todos os momentos e que, na angústia, determinadas relações revelam profundidade semelhante à de uma família.
Existem pessoas que conhecem nossas conquistas.
E existem aquelas que conhecem também nossas fragilidades.
Para Edson Braga, possuir algumas relações diante das quais não é necessário representar força permanentemente pode ser uma das maiores formas de riqueza.
Pessoas para quem seja possível dizer:
“Não estou bem.”
“Estou preocupado.”
“Não sei o que fazer.”
“Preciso de ajuda.”
A verdadeira amizade também exige permanecer no fogo do outro
Existe, entretanto, outra dimensão dessa reflexão.
Não basta perguntar quem permanecerá quando atravessarmos um período difícil.
Também é necessário perguntar para quem estamos dispostos a permanecer.
Amizade verdadeira não é apenas encontrar pessoas capazes de estar ao nosso lado na adversidade.
É decidir fazer o mesmo quando a dificuldade pertence a alguém próximo.
Para Edson Braga, talvez parte da qualidade de uma vida seja medida pelas relações capazes de sobreviver não apenas às conquistas, mas também aos momentos de vulnerabilidade.
Algumas crises retiram coisas que já não deveriam permanecer
A metáfora do refinamento também oferece uma interpretação diferente sobre determinadas dificuldades.
Algumas crises podem retirar arrogância.
Outras expõem a ilusão de controle.
Existem situações que ensinam paciência.
Outras obrigam uma pessoa acostumada a resolver tudo sozinha a finalmente pedir ajuda.
Algumas revelam uma força que permanecia desconhecida.
Outras ensinam que força não significa carregar tudo sem apoio.
Para Edson José Bandeira Braga Filho, isso não significa atribuir uma justificativa bonita a toda forma de sofrimento.
Existem perdas que são simplesmente dolorosas.
Há acontecimentos que ninguém escolheria viver.
Mas, quando uma dificuldade já faz parte da realidade, existe uma escolha possível sobre aquilo que será feito com ela.
Não desperdiçar a dificuldade
Ao enfrentar problemas, Edson afirma continuar adotando uma postura prática.
É necessário procurar alternativas.
Conversar.
Planejar.
Reorganizar.
Tomar decisões.
Resolver aquilo que estiver ao alcance.
Mas uma segunda dimensão pode caminhar ao lado da solução externa.
Perguntar:
O que essa situação está desenvolvendo em mim?
Paciência?
Humildade?
Coragem?
Discernimento?
Fé?
Capacidade de perdoar?
Capacidade de estabelecer limites?
Segundo Edson Braga, algumas dificuldades podem carregar dois trabalhos simultâneos.
Existe aquilo que precisa ser resolvido no mundo exterior.
E existe algo acontecendo dentro de quem atravessa a situação.
Resolver o primeiro e ignorar completamente o segundo pode significar perder parte importante do aprendizado.
Uma crise pode terminar, mas aquilo que ela produziu pode permanecer
Empresas podem se reorganizar.
Problemas financeiros podem ser superados.
Novas oportunidades podem aparecer.
Relacionamentos podem ser reconstruídos.
Feridas podem cicatrizar.
Muitas fases difíceis realmente passam.
Mas aquilo que uma pessoa se tornou durante a travessia pode permanecer muito depois.
É por isso que Edson José Bandeira Braga Filho propõe uma mudança de pergunta.
Em vez de pensar apenas:
“Quando isso vai passar?”
Acrescentar:
“Quando isso passar, quem terá atravessado para o outro lado?”
A mesma pessoa?
Alguém mais amargo?
Mais desconfiado?
Ou alguém que conseguiu desenvolver maior paciência, consciência, humildade e capacidade de enfrentar novos desafios?
O caráter também é construído na forma como atravessamos o fogo
Para Edson Braga, determinadas fases não existem apenas como problemas que precisam ser solucionados.
Também funcionam como momentos nos quais aquilo que foi construído internamente é colocado sob pressão.
Princípios são testados.
Relacionamentos são revelados.
Lideranças são observadas.
Reações ganham consequências maiores.
Nem todo fogo representa destruição.
Em determinadas circunstâncias, ele pode funcionar como uma imagem de refinamento.
Separar aquilo que realmente importa daquilo que apenas parecia indispensável.
Mostrar quais relações possuem profundidade.
Revelar limites.
Expor medos.
Fortalecer determinadas virtudes.
A dificuldade continua sendo uma dificuldade.
Mas ela não precisa terminar sem deixar qualquer aprendizado.
Talvez, em algumas fases, a pergunta mais importante não seja apenas quando a tempestade terminará.
Pode ser quem estamos escolhendo nos tornar enquanto ainda caminhamos dentro dela.
Porque os problemas passam.
Mas o caráter construído durante a travessia pode acompanhar uma pessoa por toda a vida.
