A psicóloga Olga Tessari, expert em desenvolvimento humano e neurociência, classifica como desumano o abrupto término das relações entre crianças autistas e os terapeutas dispensados do CATEA Niterói pela Unimed-Leste.
A psicóloga Olga Tessari critica a maneira abrupta como se deu o desligamento dos terapeutas do Centro de Atenção ao Transtorno do Espectro Autista (CATEA) pela Unimed-Leste, afirmando que isso é desumano para as crianças autistas que estabelecem laços com seus profissionais. No dia 1º de julho, a clínica comunicou via WhatsApp sobre a demissão de 13 profissionais e a interrupção dos atendimentos realizados por eles.
Já surgiram relatos de crianças manifestando sinais de sofrimento e crise devido à quebra abrupta desses vínculos.
Com especialização em Desenvolvimento Humano e Neurociência 2.0, Olga Tessari ressaltou que essa troca repentina de terapeutas pode resultar em um grande retrocesso no tratamento. Isso é especialmente preocupante se não houver um relatório terapêutico detalhado das sessões anteriores, elaborado por todos os profissionais que acompanharam cada paciente.
Além disso, Olga enfatiza que, independentemente das razões que levaram à mudança na equipe, deve-se considerar a natureza dos relacionamentos humanos. As crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA), segundo a especialista, enfrentam dificuldades persistentes na comunicação social, reciprocidade socioemocional e na manutenção de relacionamentos.
“Essa medida da empresa é desumana e demonstra uma total falta de respeito com os pacientes, priorizando apenas aspectos burocráticos e interesses próprios, sem considerar a saúde dos envolvidos”, critica.
A falta de transição e prazos inadequados
Olga Tessari argumenta que pelo menos deveria ter havido uma comunicação prévia aos pacientes e familiares com um aviso de pelo menos um mês de antecedência. Esse tempo permitiria um impacto menor na evolução dos pacientes.
“Um planejamento adequado com notificação escrita às famílias, um relatório atual sobre o tratamento até aquele momento e um plano de transição com metas personalizadas são essenciais. Cada paciente possui necessidades únicas”, sugere.
Mães e familiares expressaram grande preocupação em relação aos vínculos terapêuticos. Nesse contexto, Olga faz observações relevantes, especialmente em casos que envolvem acompanhamentos multidisciplinares intensivos.
“O vínculo terapêutico é crucial para o engajamento do paciente e sua evolução. Romper esse laço sem qualquer transição pode causar retrocessos ou forçar um recomeço no tratamento. Crianças com TEA necessitam de rotina e relacionamentos estáveis”, alerta.
Olga Tessari comenta sobre as demissões no CATEA Niterói pela Unimed-Leste, enfocando o impacto no tratamento das crianças autistas | Divulgação
Ela também propõe o modelo ideal para a transição entre terapeutas e pacientes.
“Essa mudança deve ocorrer gradualmente, através de sessões conjuntas entre o terapeuta antigo e o novo durante um período específico. Assim, o paciente pode estabelecer um novo vínculo enquanto se despede do profissional anterior”, recomenda.
Impactos negativos no tratamento das crianças com TEA
Ao aprofundar sua análise sobre a situação, Olga Tessari destaca que os pacientes podem enfrentar um aumento significativo da ansiedade, além de apresentar comportamentos desafiadores. Ela menciona ainda o elevado risco de regressão nas habilidades já adquiridas ou em fase de consolidação. Também é possível observar uma dificuldade na coordenação entre os serviços prestados, especialmente quando há uma equipe multiprofissional envolvida.
“Crianças com TEA precisam de previsibilidade, rotinas estáveis, vínculos confiáveis e continuidade nos planos terapêuticos para progredir”, enfatiza Olga Tessari.
A maior preocupação, segundo ela, reside na possibilidade de ter que reiniciar todo o tratamento. Isso se deve tanto à falta de planejamento para a transição quanto à ausência de relatórios detalhados sobre os atendimentos realizados até então. Sobre essa segunda questão mencionada por ela, não há informações disponíveis acerca da existência desses documentos ou não.
“Isso é crucial especialmente quando uma equipe multiprofissional está envolvida no atendimento ao paciente com TEA”, ressalta.
Finalmente, a especialista aconselha as famílias a mobilizarem-se e considerarem buscar apoio judicial para garantir os direitos das crianças.
Posicionamento da Unimed
Em comunicado oficial, a Unimed Leste Fluminense garantiu que todos os pacientes atendidos no CATEA Niterói “continuarão recebendo assistência de profissionais qualificados da equipe”, sustentando assim a continuidade dos tratamentos realizados.
Além disso, a cooperativa afirmou que está contatando individualmente os responsáveis pelos pacientes para confirmar datas e horários das sessões “de maneira a minimizar impactos na rotina dos assistidos”.
No entanto, a resposta da Unimed não esclarece quantos profissionais foram dispensados nem quais especialidades foram afetadas; também não fornece informações sobre possíveis interrupções nos atendimentos ou se cada paciente manterá sua carga semanal original de terapia ou os métodos previstos em seus planos individuais. Além disso, não há detalhes sobre como será feita a transição clínica entre os terapeutas desligados e os novos responsáveis pelos atendimentos.
Nota completa da Unimed Leste Fluminense:
“A Unimed Leste Fluminense informa que todos os pacientes atualmente em acompanhamento terapêutico na unidade CATEA Niterói continuarão sendo atendidos por profissionais qualificados da equipe, assegurando assim a continuidade dos tratamentos.
Os responsáveis estão sendo contatados individualmente para confirmação das datas e horários das sessões para evitar impactos na rotina dos assistidos.
Estamos comprometidos com a qualidade da assistência prestada às famílias atendidas pelo CATEA Niterói”.
A matéria “Desumano”: Especialista expõe impacto das demissões no CATEA Niterói pela Unimed-Leste foi publicada originalmente por outra fonte.
