Queda de ponte no Acre após interdição deixa quatro feridos – Vídeo | Reprodução/X
No Acre, uma ponte desabou um dia após ter sido interditada devido a um risco estrutural, resultando em quatro feridos na cidade de Sena Madureira, localizada no interior do estado. O colapso da Ponte Frei Paolino Baldassari, que se estende sobre o Rio Iaco, aconteceu no início da noite de sexta-feira (05), afetando uma das principais vias do município.
A situação se agrava, pois a estrutura já havia sido fechada na quinta-feira (4). O Governo do Acre informou que a interdição foi realizada como medida de segurança preventiva para evitar um desastre maior.
Imagens capturam o momento do colapso
Cenas de câmeras de segurança publicadas nas redes sociais revelam o exato momento em que a ponte desmorona. As imagens mostram movimento na estrutura momentos antes da queda.
Uma das vítimas, o juiz aposentado Edinaldo Muniz dos Santos, havia feito uma transmissão nas proximidades da ponte pouco antes do incidente. Na gravação, ele criticava a qualidade da construção e alertava sobre os perigos associados à estrutura.
Condições de saúde dos feridos
Na manhã deste sábado (6), a Secretaria de Estado de Saúde do Acre atualizou as informações sobre os feridos. Edinaldo Muniz dos Santos, 54 anos, está internado em estado gravíssimo na UTI do Pronto-Socorro de Rio Branco, tendo passado por cirurgia para corrigir uma fratura pélvica e apresentando traumatismo cranioencefálico severo, além de estar sob ventilação mecânica.
Ednei Muniz dos Santos, 51 anos, encontra-se estável e respira sem auxílio de equipamentos. Ele também permanece internado no Pronto-Socorro de Rio Branco com uma fratura no antebraço e está aguardando cirurgia.
Antônio Morais Lima Filho, de 36 anos, também apresenta quadro considerado estável e respira sem ajuda. Ele sofreu uma fratura no fêmur e recebe acompanhamento das equipes médicas, sendo programada cirurgia para correção.
Weverton Murieta, 34 anos, teve alta hospitalar neste sábado (6) após passar por avaliações médicas e receber tratamento para suas lesões.
Ponte tinha pouco tempo de uso
A Ponte Frei Paolino Baldassari era uma estrutura recente, inaugurada em 2023. Com extensão de 232 metros, sua construção custou mais de R$ 36 milhões, conforme relatos divulgados pela Exame.
Informações adicionais indicam que o trecho que desabou representa cerca de 60% da ponte total. A construção dispunha de duas pistas para trânsito veicular e calçadas destinadas a pedestres em ambas as laterais.
Governo cria força-tarefa após o incidente
Após o colapso da ponte, a governadora Mailza Assis visitou Sena Madureira e ativou um gabinete de crise estadual. Equipes do Corpo de Bombeiros, Samu, Sesacre e Defesa Civil foram acionadas para realizar buscas e prestar apoio às famílias afetadas.
Mailza destacou que a prioridade era salvar vidas e oferecer assistência aos feridos. Em seguida, o governo começou a investigar as causas do acidente e possíveis irregularidades relacionadas à obra.
A interdição foi motivada pelo fenômeno “terras caídas”
Um dia antes do desabamento, o Governo do Acre anunciou que a Construtora Cidade Ltda., responsável pela obra da ponte, seguiu recomendações para interditá-la imediatamente devido ao avanço do fenômeno denominado “terras caídas” nas margens do Rio Iaco.
Conforme informações do Deracre, a interdição total foi efetivada às 15h na quinta-feira (4), seguindo orientações da empresa responsável e em colaboração com os Bombeiros.
Perícia investigará as falhas estruturais
Diante disso, a Polícia Civil realizou uma perícia inicial no local. Entretanto, segundo o delegado-geral Pedro Paulo Buzolin, uma equipe especializada em engenharia foi designada para conduzir uma análise mais aprofundada da estrutura e investigar eventuais falhas que levaram ao desabamento.
A Defesa Civil também advertiu que os riscos ainda persistem nas imediações da ponte. Assim sendo, engenheiros estão avaliando a área antes que qualquer decisão sobre como restaurar o acesso ao Segundo Distrito de Sena Madureira seja tomada.
Ações legais contra a construtora estão sendo consideradas pelo governo
Além disso, em comunicado jurídico oficializado pelo Deracre junto à Procuradoria-Geral do Estado foi informado que a obra foi contratada por meio do Contrato Deracre nº 011/2022 sob modalidade integrada. O governo ressalta que a Construtora Cidade assumiu todas as responsabilidades referentes ao projeto básico e executivo bem como à execução da obra.
A PGE revelou que tomará medidas judiciais para exigir que a empresa repare ou reconstrua a ponte ou apresente alternativas viáveis para restabelecer a travessia. O governo também estuda solicitar um bloqueio cautelar dos bens da construtora equivalente ao valor total do contrato ou garantir essa quantia através de seguro-fiança.
Entretanto, até que se finalize a perícia oficial sobre as causas do colapso será necessário esclarecer se houve falhas no projeto ou na execução da obra ou se fatores ambientais inevitáveis contribuíram para o incidente.
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